Como a adaptação de Akira se tornou uma grande novela nas mãos de Hollywood

A adaptação do anime segue sua jornada de chegadas e partidas

Luide
Luide
17 de maio de 2017

Adaptar Akira para o cinema se transformou em uma novela. A cada ano que passa novos capítulos são adicionados, e mais recentemente, o diretor Jordan Peele foi o protagonista de um deles. Depois de fazer os $5 milhões investidos em Get Out retornarem $214 milhões, o comediante que se aventurou no terror está com todos os holofotes da indústria voltados pra si. Mas ao invés de um drama de 50 minutos, foi mesmo uma comédia de 20: Jordan Peele recusou dirigir Akira tão rápido quanto os rumores surgiram.

E o motivo é o mais nobre possível:

Akira é um dos meus filmes favoritos, e acho que obviamente a história justifica um orçamento tão grande quanto possível. Mas a verdadeira questão para mim é: eu quero fazer material pré-existente, ou eu quero fazer conteúdo original? No final do dia, eu quero fazer coisas originais


Direto e reto. Vamos focar em coisas novas, criativos?
Vamos.

A Warner tenta adaptar Akira há pelo menos 15 anos, desde que adquiriu os direitos ainda em 2002. De lá pra cá muita coisa aconteceu, mudanças de roteiro, entra e sai de diretor, rumores sobre elenco. O que é certo é que Leonardo DiCaprio e Katsuhiro Otomo, criador do mangá e diretor do longa animado de 1988, são produtores executivos.

Ainda em 2002, Stephen Norrington de Blade, foi o primeiro nome escalado para dirigir e já nessa época se falava em “adaptar” o anime para o público americano. Já sabe o que isso significa… Não deu certo, o filme foi engavetado e em 2009 foi a vez do desconhecido Ruairi Robinson ser confirmado como diretor de não apenas um, mas dois filmes de Akira, que foi anunciado como “um encontro entre Blade Runner e Cidade de Deus“. Chuta: não deu certo.

Em 2010 veio aquela que pode ser a mais bizarra notícia envolvendo o live action: Zac Efron estava em negociações para viver Kaneda. Nesse novo embalo da produção, Joseph Gordon-Levitt foi cogitado como Tetsuo, e embora tenha negado, tal informação viria ser confirmada anos mais tarde quando artes conceituais foram divulgadas. Os rumores apontavam Albert Hughes como diretor. E como deu pra notar: graças a Deus não deu certo.

Ainda em 2010 tivemos nomes como Ezra Miller e Kristen Stewart sendo cogitados para o elenco. Até Keanu Reeves entrou na brincadeira. Gary Oldman revelou em entrevista que foi procurado pela Warner para estar no filme. Nenhum, nem outro, e o filme seguiu na gaveta.

Em 2011 parece que um “agora vai” foi ligado na Warner, e o orçamento previsto bateu a casa dos $200 milhões de dólares. Depois vários cortes, foi reduzido para $60 milhões. Akira chegou a entrar em pré produção no Canadá quando foi cancelado novamente. Lá em 2013 Jaume Collet-Serra, que fez o ótimo suspense Águas Rasas, chegou a ser confirmado na direção e o projeto foi retomado.

Porém nessa nova versão de Akira algumas coisas essenciais seriam mudadas. Lembra do papo de “adaptar para o público americano” que rolou ainda em 2002? Então. Ao invés de Neo-Tóquio, seríamos apresentados a uma Neo-Manhattan e teríamos o ator Garrett Hedlund como Kaneda. Sim, aquela história de um branco assumindo o papel de um oriental. Steve Kloves da saga Harry Potter era o roteirista. Jaume Collet-Serra chegou a dar entrevistas dizendo que  o “filme será tão diferente do mangá quanto o anime“. Bom, adivinha? Não deu certo.

Em 2015 uma nova versão do roteiro foi escrita por Marco J. Ramirez, que trabalhou em Sons Of Anarchy, e Christopher Nolan era o nome da vez. Ele se reuniu com produtores e com o ex-diretor para discutir possibilidades, e os planos agora eram mais ousados: Akira seria uma Trilogia, e como Nolan salvou o Batman do ostracismo no cinema, não existiria nome melhor para trazer alguns bilhões pra Warner. Bom… o resto é história.

A última vez que ouvimos falar sobre a adaptação de Akira foi em 2016, quando Justin Lee de Velozes & Furiosos 7 foi cogitado para a direção, e Ruairi Robinson divulgou em seu site imagens conceituais que provam que Joseph Gordon-Levitt chegou mesmo a ser cogitado como Tetsuo e Chris Evans como Kadena.

Imagens conceituais mostram como Hollywood imaginou Akira:



Com mais um diretor pulando fora do projeto, é provável que ele volte pro limbo, e se levarmos em conta o fracasso de Ghost in The Shell, é certo que a Warner (que está louca pra conseguir novas franquias a altura de Matrix, Senhor dos Anéis e Harry Potter) segure por mais uns anos. O problema é que o público não aguenta mais tanta história boa sendo desperdiçada, e como todos nós sabemos, será bem difícil que Akira chegue aos cinemas fiel às suas origens japoneses.

Já deixo uma previsão: se Blade Runner 2049 se sair bem, e Dune for um bom blockbuster, pode anotar que Denis Villeneveu vai dirigir Akira. Me cobrem nas Olimpíadas de 2020.

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