Com The Deuce, você tem uma nova chance de acompanhar o trabalho de um gênio das séries

David Simon está de volta e nos leva para uma Nova York suja e infestada de pecados.

Luide
Luide
25 de setembro de 2017

Ele começou como jornalista, depois se tornou escritor e desde 2000 é roteirista de séries na HBO, canal que nunca abandonou e que sempre deu total apoio ao seu trabalho. Esse cara é David Simon, autor de obras como The Corner, Treme e The Wire, esta uma das obras primas da televisão. Na América pós 11 de setembro, a história sobre traficantes e policiais em Baltimore trazia uma visão bastante realista do Estado enfrentando o crime organizado. Era algo praticamente inédito, já que todas as séries policiais apresentavam a mesma estrutura: não importa o quão genial fosse o criminoso, sempre existiria um homem da lei mais genial que até o fim do episódio iria superar todas as suas maldades (e no fim, era disso que a América pós 11 de setembro precisava).

The Wire não. A série não se preocupava com caminhos fáceis e para contar a história de uma cidade dominada pelo tráfico de drogas, David Simon não se contentou em mirar seu olhar apenas para os departamentos de polícia ou nas esquinas de subúrbio. Ele partiu pra uma investigação completa. Essa visão ampla é marca autoral de Simon, algo que ele não deixa de lado nem mesmo quando se trata de uma minissérie como Show Me A Hero. Ele quer contar uma história, mas pra isso ele irá contar todas as histórias dessa história. E em The Deuce isso não será diferente.

O novo drama da HBO estreou há poucos dias com todas as qualidades de David SimonGeorge Pelecanos (antigo parceiro de Simon). No final dos anos 70, o glamour e requinte da Nova York de Mad Men dava lugar a sujeira, pessimismo e abandono. Ruas infestadas de lixo eram compartilhadas por traficantes de drogas, cafetões, bêbados, apostadores e prostitutas. Nesse cenário é que a indústria pornográfica começa a surgir. Em The Deuce essa ascensão será detalhada em diversos núcleos, que vão desde um barman frustrado até mafiosos. O que Simon irá fazer, como de costume, é nos mostrar que nada tão complexo pode ser contado através de um ou dois pontos de vista.

Outra característica marcante na obra de Simon é a ausência de um protagonista ou um personagem condutor (como no caso de Walter White em Breaking Bad). Todos ali respondem a algo maior, que no caso é sempre a cidade ou bairro que eles habitam. De um jeito ou de outro, dentro daquele cenário, todos estão destinado a passar pelas mesmas provações. Foi isso que colocou The Wire pra sempre no panteão de séries.

Com uma primeira temporada relativamente curta, com 8 episódios, The Deuce já garantiu um segundo ano. É a sua chance de conhecer o trabalho de um dos maiores gênios e roteiristas da televisão. É satisfatório para qualquer fã de série saber que 2017 foi o ano que colocou David Lynch e David Simon articulando novas séries. Enquanto o primeiro David nos conduz através dos sonhos, o segundo nos estapeia na cara e nos sufoca com a realidade. Qual das duas é mais perturbador eu não sei, mas tanto Lynch quando Simon estrangulam seus personagens, seja através de Bob ou de algum cafetão das ruas de Nova York.

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