Christopher Nolan: “Quem se importa com a Netflix? É nada mais que uma moda”

Diretor não quer que você assista Dunkirk na televisão. Muito menos na Netflix.

Luide
Luide
13 de julho de 2017

Enquanto roda o mundo divulgando Dunkirk, seu novo filme, Christopher Nolan aproveita para dar uma entrevista aqui e outra ali. E como todo mundo que fala bastante, acaba falando demais. O diretor sempre foi um defensor da película e ativista desse cinema feito à moda antiga, como já dito em outra matéria, fez parte de um movimento de diretores para que a Kodak seguisse fabricando negativos de películas.

Era de se esperar que sua posição em relação aos filmes da Netflix fosse radical, assim como de vários outros diretores e profissionais da indústria, que durante o Festival de Cannes desse ano, protestaram contra os filmes do serviço de streaming concorrendo a Palma de Ouro. O próprio Martin Scorsese, que graças a Netflix poderá produzir The Irishman, disse que assistir filmes em casa “Não é a melhor maneira“.

Questionado pelo El Mundo se ele se importaria que Dunkirk fosse visto em uma televisão ou na Netflix, Nolan mandou o seguinte:

Obviamente. A televisão existe desde os anos 50 e a Netflix é televisão. Quem se importa com a Netflix? Não faz diferença para ninguém, não é nada mais que uma moda, uma tempestade em copo d´água. Qual é a definição de um filme? O que é um filme? Algo que dura duas horas? É um gênero específico? Não. O que sempre definiu um filme foi o fato de ser exibido nos cinemas. Nem mais, nem menos. O fato de a Netflix fazer filmes para televisão que competem no Oscar ou no Festival de Cannes significa apenas que o cinema está sendo utilizando como ferramenta promocional […] Agora, se eu fosse o diretor de um festival, não aceitaria os filmes da Netflix porque eles não são filmes“.

Filmado em iMAX 70mm, Dunkirk é apontado como um espetáculo cinematográfico poucas vezes visto, devido a sua escala. Nessa matéria falo mais a respeito.

O fato é que Nolan não é o primeiro e muito menos será o último a duvidar do potencial da Netflix. Mas ele diz a verdade a respeito de como um filme deve ser visto, e o prazer de ir ao cinema não deve ser substituído pelo conforto do lar. Mas nós sabemos que enquanto o valor dos ingressos decolam, e as pessoas cada vez mais encaram o cinema como uma praça de alimentação, novos hábitos vão se formando.

Enquanto isso, a Netflix bateu a marca de 100 milhões de assinantes no mundo todo.

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