Blade Runner 2049 terá classificação para maiores e pouca “tela verde”

"Quando assisto a um filme que é quase todo computação gráfica, perco a imersão", diz o diretor

Luide
Luide
21 de dezembro de 2016

Depois de um 2016 cheio de péssimas surpresas, aprendi a controlar um pouco a minha empolgação com o cinema mais blockbuster. O problema, claro, não é ser pop, mas sim, um produto inteiramente pensado pra agradar o maior número de pessoas possíveis, ao mesmo tempo, despertar o menor número de sentimentos possíveis. Sabe aquela sensação “ok, isso não é ruim, mas também não é espetacular. Valeu o preço do ingresso“? Então, cansei disso.

Quero sair do cinema flutuando, e um dos pouquíssimos filmes que fizeram isso comigo esse ano foi A Chegada, de Denis Villeneuve.

Conheci Denis Villeneuve em 2014 com Os Suspeitos e fiquei extremamente curioso para saber mais sobre o diretor canadense. Aliás, foi com esse filme que Villeneuve chegou de vez a Hollywood, e com Sicario, O Homem Duplicado e mais recentemente, A Chegada, ligou o alerta de nomes a serem acompanhados de perto. E pra ganhar de vez a confiança do público, coube a ele filmar a continuação de um dos maiores e mais influentes clássicos do cinema. Blade Runner 2049 chega em outubro de 2017. É vai ou raxa.

Meus produtores estão achando divertido me lembrar de que este será um dos filmes independentes para maiores mais caros já produzidos” disse Villeneuve ao Screen Daily. É uma declaração interessante, já que mesmo a história dos replicantes sendo bastante conhecida na cultura pop, o filme ainda é tratado como “independente”. Bom, em partes, não deixa de ser, já que o diretor também confirmou a classificação R (maiores de 17 anos) para Blade Runner 2049, o que sem dúvidas, tira o peso de ser um blockbuster, como tantos outros clássicos hoje em dia precisam ser, como Caça-Fantasmas e Independence Day, por exemplo.

Ainda sobre o filme que, segundo Denis Villeneuve, está se “transformando em algo seu“, o diretor falou sobre o uso de CGI. Quem assistiu A Chegada, uma história sobre “invasão alienígena”, pode notar que ele em momento algum desanda pro show de efeitos digitais. E Blade Runner 2049 parece seguir o mesmo caminho:

“Posso contar nos dedos o número de vezes que coloquei uma tela verde no set. A maior parte do filme foi gravada em câmera, e o (diretor de fotografia) Roger Deakins trabalhou duro para fazê-lo dessa maneira”

É o terceiro trabalho do diretor de fotografia Roger Deakins com Villeneuve, ele também esteve em Os Suspeitos e Sicario, ambos donos de uma beleza estonteante.

O fato é que Blade Runner é tão sujo visualmente, que ficaria difícil reproduzir o mesmo clima com computação gráfica, deixando de lado toda uma produção. No filme de 1982, por exemplo, existem duas cenas que, pra mim, mostram bem o significa dessa sujeira: quando a Pris está prestes a encontrar Sebastian (o lixo, a desolação de uma cidade morta, apesar das luzes tentar esconder esse fato) e óbvio, o confronto entre RoyDeckard, mostrando um edifício completamente destruído, cheio de fezes de pombos (o velho sendo esquecido, deixado pra trás, triste realidade de qualquer capital brasileira).

É esse tipo de “sujeira”, de “cenário”, que ficaria impossível reproduzir em um computador.

“Meus atores não andaram em telas verdes o dia inteiro. Computação gráfica é uma ferramenta forte para fundos e extensões, mas o que está ao redor dos atores precisa ser o mais real possível. Quando assisto a um filme que é quase todo computação gráfica, perco a imersão”

Como dito no início do texto, eu desisti de ter expectativa pra qualquer coisa, mas é difícil não se sentir satisfeito com o cuidado que, aparentemente, Denis Villeneuve vem tratando um dos meus filmes favoritos. Não espero algo maior ou melhor que o original, o próprio diretor já descartou essa possibilidade. Quero apenas mais um ótimo filme do mesmo cara que vem fazendo isso de uma maneira regular.

E mais uma vez: só desejo que não se perca no tempo como uma lágrima na chuva.

Posts Relacionados
  • 24/01/2017

  • Luide

Um recado pra você que também não gostou tanto assim de La La Land

  • 22/01/2017

  • Luide

David Ayer: “Gostaria de ter uma máquina do tempo. Eu faria do Coringa o vilão principal”

  • 21/01/2017

  • Luide

La La Land é a terra dos sonhos possíveis