Um episódio de Better Call Sall que parecia Breaking Bad

Mabel abre a terceira temporada de BCS nos fornecendo um revival de BreBa

Luide
Luide
12 de abril de 2017

Better Call Saul é um spin-off de Breaking Bad ou um prequel? Uma dúvida que nem mesmo seus criadores Vince Gilligan e Peter Gould sabem responder. Enquanto spin-off é justo explorar a figura de Saul Goodman de maneira isolada, mas ao mesmo tempo, fica impossível de fugir de algumas referências a série mãe. Porém a mão pesada em nos fazer se sentir em casa, e histórias de personagens clássicos entrando nesse bolo, também faz de Better Call Saul um prequel.

Mabel, o episódio que abre a terceira temporada, é mais um claro exemplo dessa dupla narrativa. De um lado Jimmy McGill e suas trapalhadas, em uma história que mistura bem o humor e um forte apelo dramático. Do outro, Mike Ehrmantraut vivendo um verdadeiro episódio de Breaking Bad. Da direção de Vince Gilligan a música, a fotografia, a até mesmo a edição das cenas. Tudo que acontece quando Mike está em cena é 100% Breaking Bad, caberia fácil em alguma temporada da saudosa série.

É tão bom, mas tão bom, que fica difícil até pra mim que condena esse tipo de jogadinha (olha aqui essa referência!) se irritar com Mabel. A sensação de estar assistindo a um episódio inédito de Breaking Bad três anos depois é deliciosa e ao mesmo tempo sufocante: afinal, coisas boas precisam acabar.

Mas mesmo as vezes repetitiva, Better Call Saul ainda instiga. Não da pra saber o que ira se desenrolar dessa temporada porque estamos nas mãos de um dos maiores roteiristas da televisão. Gilligan não brinca em serviço, e fazendo um retrospecto da série até então, as season finales entregaram os melhores episódios, todos dirigidos pelo próprio Vince Gilligan e que se valem dessa construção lenta do criador.

Ele conduz bem o espectador, e sabe extrair momentos poderosos de seus personagens. Em Mabel temos dois pontos importantes pra entender o todo. O primeiro é quando Saul, no futuro pós Breaking Bad, não resiste ao próprio disfarce e deixa escapar um conselho de advogado para um ladrão. Da pra sentir toda a angústia e dor do velho Saul ali dentro. O homem parece poder explodir a qualquer momento. O outro é quando Jimmy lamenta a falta do irmão ao dizer que, por pelo menos 10 minutos, Chuck voltou a ser quem era.

Ou seja, mesmo anos depois dos acontecimentos de Better Call Saul, Jimmy ainda é o mesmo cara amargurado quem encontra na obsessão do trabalho uma forma de aliviar essa dor. Mais uma vez o spin-off reverencia Breaking Bad a nos contar a mesma história, sobre perspectivas diferentes.

Tanto Better Call Saul quanto Breaking Bad é sobre frustração. Tome cuidado. E a todos, uma boa terceira temporada, nos vemos semana que vem.

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