Arquivo X: porque você precisa conhecer uma das séries mais influentes da TV

Dois agentes do FBI. Muita conspiração. E uma revolução na televisão poucas vezes vista.

Luide
Luide
3 de Janeiro de 2018
 

Em um escritório no subsolo do FBI casos paranormais não resolvidos recebiam o selo “X-Files” e ali ficavam engavetados. Coube a um agente investigar e teorizar em cima desses supostos contatos de extraterrestres ou casos onde a ciência chegava ao seu limite. Pra ajudá-lo (e ao mesmo tempo ser sua espiã) uma agente cética, o total oposto do primeiro, seria exposta a todo tipo de situações onde sua própria fé no desconhecido seria colocada em jogo. E assim começa Arquivo X, uma das mais importantes e influentes obras da televisão, e que ditaria algumas regras em como fazer séries. Depois que Fox MulderDana Scully assumiram juntos as investigações dos x-files, as coisas nunca mais seriam as mesmas.

Mulder e Scully surgiram diretamente do fundo da minha imaginação. Uma dicotomia […] Eu queria, assim como várias outras pessoas, passar pela experiência de testemunhar um fenômeno paranormal. Ao mesmo tempo em que eu não queria acreditar nisso, eu me questionava“. Essa declaração de Chris Carter, criador e principal roteirista da série, é a síntese de Arquivo X. A série nos apresenta um universo fantástico onde o choque entre ceticismo e fé ditam os rumos e o tom da obra.

Quando foi ao ar em 1993, a “tv de qualidade” ainda estava nascendo e foi graças a Arquivo X que parte do caminho foi pavimentado. Até então os chamados “enlatados americanos” (séries feitas sob medida para serem exibidas em qualquer parte do mundo) dominavam a programação, e poucas ousavam criar uma história que pudesse ser desenvolvida ao longo de várias temporadas. Nesse ponto Arquivo X foi revolucionária pois partiu para duas linhas narrativas: a primeira abordava a trama principal, que envolvia uma invasão alienígena, o poder do Estado em controlar, manipular, e ocultar tais eventos, e o desaparecimento da irmã do protagonista. Tudo isso criou uma lógica própria na série, que assim, poderia desenvolver seus personagens e evoluí-los de um episódio para o outro (algo que não acontecia na televisão).

Arquivo X se aproveitava de sua falta de limites imaginativos para lançar episódios procedurais (os famosos “monstros da semana”) que fisgavam o grande público e o prendia em sua trama mais profunda e elaborada. E é justamente aí que entra aquele que talvez seja o maior trunfo da série: apesar dos seus mais de 200 episódios, soube dosar muito bem a qualidade de todos, entregando alguns históricos e fechados em si mesmo. Por se permitir explorar todo o tipo de lendas e mitos, Arquivo X logo se tornou um celeiro para jovens roteiristas que poderiam usar do fantástico para elaborar histórias que iam desde um monstro que se esticava até vampiros entregadores de pizza.

Um desses roteiristas foi Vince Gilligan, que na época com 28 anos, escreveu um roteiro para Arquivo X e enviou para Chris Carter (fato interessante: as fanfics de Arquivo X eram muito comuns entre fãs e Gilligan deu a sorte de ser um fanfiqueiro de primeira). Seu roteiro era tão bom que foi filmado: o episódio Soft Light (02E23) seria o primeiro dos 30 escritos por Gilligan, que certa vez brincou dizendo que se não conseguisse outro trabalho além de Arquivo X, teria que vender metanfetamina em uma van. E o resto é história.

No centro, movendo toda a série, estão seus protagonistas. Fox Mulder e Dan Scully são o total oposto um do outro e ao mesmo tempo, representavam muito bem a gigantesca audiência da série. Mulder era a chama da crença que queima mesmo no mais cético dos humanos, algo que remete diretamente a um deslumbre da infância, de uma mente fértil, onde, apesar das consequências de vivermos ao lado de super seres e extraterrestres, isso seria algo interessante de ser acompanhar.  Portanto era fácil se associar e ter empatia por Mulder, já que somente quem presenciou algo extraordinário poderia ter o coração aberto para ele.

Mas se você gosta sempre de ouvir a voz da razão e guiar seus passos pela extrema lógica, era Scully quem faria o papel de te fisgar. Com isso Arquivo X criou o padrão de agentes que são o completo extremo um do outro, algo visto até hoje em diferentes séries. E entender a relação entre Mulder e Scully é entender a proposta de Arquivo X.

Chris Carter provocava o espectador com suas histórias, e tratou de forma sólida temas que geravam deboche e ridicularização, como casos paranormais e extraterrestres. Isso foi uma decisão tão importante que levou a ficção científica para um novo patamar na séries, e anos mais tarde, obras como LOST e derivativos se aproveitariam muito bem desse legado. E no fim, a forte dose de conspiração deixava a pergunta na cabeça: e se a verdade realmente estiver lá fora?

I want to believe.

A nova temporada de Arquivo X chega ao Brasil dia 10 de janeiro pela FOX, às 23hrs, com episódio duplo.

É diferente de tudo que já fizemos” revelou Chris Carter sobre a nova temporada de Arquivo X. David Duchovny e Gillian Anderson retornam como Fox Mulder e Dana Scully para 10 novos episódios. E para ir aquecendo, a FOX realiza uma maratona da décima temporada no dia 07 de janeiro a partir das 13hrs. Tudo para você entrar de vez no clima e aproveitar a estreia da décima primeira temporada, dia 10 de janeiro com episódio duplo. Nos vemos lá às 23hrs.

Seja doador e ajude o Amigos do Fórum a seguir crescendo!