A Chegada é o grande filme indispensável de 2016

Denis Villeneuve dirige uma ficção científica

Luide
Luide
18 de novembro de 2016

Uma série de normas sociais, leis e dilemas morais buscam criar alguma ordem no caos da humanidade. Apesar de nos vangloriarmos de nosso cérebro avançado, quando algo tende a romper o padrão lógico e rotineiro do tempo, tudo sai do controle e então somos expostos ao verdadeiro estado primitivo do ser humano. Mas justamente essas ordens invisíveis, que fazem sentido aqui, mas em outro país não tem a menor importância, são o que impendem o atrito constante de nossa raça.

Ainda assim vivemos com fortes tensões ao redor do globo, onde crises humanitárias como os refugiados ou as diferentes visões de paz que potências nucleares como EUA e Rússia possuem, mostram que a humanidade sempre está por um fio. Basta um empurrão para corrermos feito doidos por aí. Por isso que essa ideia de um futuro onde nações deixem de lado seu patriotismo, abandonem fronteiras e passem a viver como um planeta unido, sempre foi uma das frentes da ficção científica. E claro, para criar essa hipótese cada vez mais distante da realidade, nada como uma intervenção alienígena.

Afinal, é cada vez menos crível que países se unam para um bem comum. Uma ajuda mútua sem maiores interesses. É o tipo de situação explorada ao exagero em blockbusters como Independence Day ou de forma romântica como Perdido em Marte. E se a humanidade pudesse se unir? E se as barreiras imaginárias fossem deixadas de lado? Cada vez mais soa como ficção.

Em A Chegada, do diretor Denis Villeneuve, esse até poderia ser o grande tema que abrange o filme, mas aqui o diretor foge do tema “invasão alienígena” para nos contar uma história humana. Como deve ser feita sempre em boa ficção científica. Não adianta olhar para o futuro e as estrelas se deixarmos o presente e a Terra de lado. Aqui temos uma espécie de Interstellar, mas sai o buraco negro e entra a própria inclinação humana a empatia, ao amor e a transcendência do material.

Como dito no início do texto, se somos animais enjaulados por ideias vindas da religião, política ou sociedade, também somos seres que tem muito a ensinar ao Universo. Nossa espécie é um acontecimento tão importante perante a infinidade do tempo, que A Chegada nos mostra que esse tipo de entendimento só é possível quando um agente externo nos força a lembrar. São as pequenas ações diárias que nos colocam acima de qualquer explosão de proporções quânticas no espaço.

Tempo. Não tem como fugir desse tema quando o assunto é a nossa mortalidade, o choque de realidade que acontece a morte flerta com o fim da vida. Início, meio e fim. Em A Chegada o tempo não aprisiona, mas liberta. Se você pudesse enxergar sua vida como é hoje, abriria mão dos bons momentos para mudar os ruins? Essa é a grande pergunta de Denis Villeneuve. Se os aliens querem ou não nos obliterar é outra coisa.

O próximo trabalho de Denis Villeneuve é Blade Runner 2049, sequência do clássico de 1982 que estreia em 2017

Obras que questionam nossa existência ou nossas relações nunca são demais. Christopher Nolan precisou viajar até outra galáxia para lembrar o óbvio, Denis Villeneuve faz isso aqui em nosso quintal. Interstellar e A Chegada são filmes para a posteridade, mas Villeneuve consegue um olhar mais abrangente. Olha para o todo.

É o grande filme indispensável de 2016. Quem não assistir irá se arrepender em ter perdido esse contato.

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