13 Reasons Why é um exemplo da importância das séries

Nova série da Netflix aborda os motivos que levaram uma adolescente a cometer suicídio

Luide
Luide
3 de abril de 2017

O suicídio já mata mais jovens que HIV” é o que mostra essa reportagem da BBC. O Brasil é o 8º país do mundo com mais casos, sendo que nos últimos 10 anos, a incidência de suicídios entre crianças e adolescentes cresceu 40%. É um assunto delicado e urgente. O debate é necessário não apenas para ajudar na prevenção e socorro as vítimas, mas também para não nos tornarmos um dos motivos.

Mesmo que hoje em dia você possa ser engolido pelo tanto de informação disponível, o filtro da ignorância não permite que elas sejam digeridas pela maioria. A depressão ainda é vista como “frescura”, o assédio físico ou psicológico como “exagero” e o suicídio como “forma de chamar a atenção”. Essa maneira de lidar com o problema nada mais é do que uma clara tentativa de não fazer parte dele. Tirar o corpo fora. “Porque não tentou ser feliz? Porque não procurou ajuda? Por que? Por que?“.

Portanto, quando a arte chama pra si essa responsabilidade, é preciso dar uma chance. 13 Reasons Why não é o tipo de série que agrada a maioria. Mesmo com temas importantes que ela abrange (além do suicídio, o machismo, bullying, assédio e etc) não deixa de ter um foco bem específico: os adolescentes. É possível que você se sinta incomodado com algumas situações (eu fiquei), já que esse tipo de “drama” não combina mais sua idade, mas de qualquer forma, 13 Reasons Why cumpre bem seu papel ao acertar em cheio o público alvo.

No fim de semana que seguiu de sua estreia na Netflix, a hastag #NaoSejaUmPorque dominou os tredings do twitter e foi muito discutida no facebook. Jovens que geralmente estariam falando sobre “shippo” ou o show do Justin Bieber, tentando entender um ao outro, expondo seus argumentos a respeito do que foi assistido. E quando uma série consegue isso, extrapola a mídia e se torna uma experiência de vida, nada pode ser melhor. Se a cultura pop existisse apenas para entreter, de nada valeria investir horas de nossas vidas nisso.

Hannah Baker era uma garota comum que foi desmoronando na frente de todos, sem que ninguém percebesse. Esse é um dos pontos mais importantes em 13 Reasons Why, a forma como ela quebra qualquer estereótipo que você é acostumado a ver a respeito de suicidas (o personagem pessimista, de canto, usando preto, essas coisas). Ela é comunicativa, esperta, namora e tem amigos. Nada denunciaria o que viria a seguir, mas claro, até que tudo começa a pressioná-la para um lugar escuro. Hannah poderia ser salva se alguém tivesse notado.

Mesmo que invista em uma narrativa preguiçosa e crie mistérios desnecessários a respeito dos motivos que levaram a protagonista a tirar sua própria vida, 13 Reasons Why não deixa de ser um importante relato para milhares de adolescentes. Se o bullying (não confunda isso com as piadinhas que você fazia entre seus amigos, não seja esse tipo de gente) já era algo difícil de lidar, agora com a internet, imagine até onde uma “brincadeira” perversa pode hegar.

Não ser um “Porquê” é mais do que um ato comum, é um dever moral, uma obrigação. Se 13 Reasons Why mudar a forma de pelo menos uma pessoa pensar, salvar uma vida, já valeu a pena. Cultura pop é pra isso.

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