John Oliver fez na realidade o que Elliot fez em Mr. Robot

Ao perdoar 15 milhões de dólares em dívidas, ele não destruiu o Sistema como Elliot, mas o feriu

10 de junho de 2016

No domingo dia 5 de junho o apresentador John Oliverperdoou” a dívida de 9 mil pessoas em um valor total de 15 milhões de dólares. Como ele fez esse ato histórico na televisão? Hackeando uma indústria que compra dívidas caducadas por valores mínimos para depois cobrar o total dos devedores. Mas calma, ele não fez como o Elliot não…

Elliot é cara que saiu da Matrix, ou pelo menos é levado pela Matrix a acreditar nisso. Ao longo de Mr. Robot ele vai confrontando a si mesmo sobre a ideia de sociedade em que crescemos. Seria justo ter nossa vida controlada por grandes corporações? Apesar de soar meio fantasioso, ao cruzarmos Mr. Robot com Requiem For a American Dream a ficção vai se tornando realidade.

Tudo em nossas vidas foi minimamente pensado para termos uma noção de liberdade, inclusive a própria noção de liberdade. O que é ser livre? É consumir. Você precisa ter seu próprio carro ou será escravo do transporte coletivo, precisa ter sua casa ou viverá de aluguel pra sempre. Precisa viajar e aproveitar a vida, precisa frequentar bons lugares. Precisa constituir família, precisa ter bons planos de saúde, boa escola, bom trabalho. Olha, você é livre, mas precisa fazer tudo isso, ok?

Ou seja, vamos sendo bombardeados por padrões de vidas enlatados. Já pensaram tudo e você só precisa seguir a risca as regras impostas. O que Elliot quer então é colocar tudo isso em colapso, virar a mesa e devolver as pessoas o controle de suas próprias vidas. Como? Destruindo esse Sistema.

Mas o que estamos prestes a descobrir (ou não) na segunda temporada de Mr. Robot que estreia dia 13 de julho é que Elliot não causou dano algum ao Sistema, na verdade o que ele fez é tudo parte de um plano maior. Assim como Requiem For a American Dream fala sobre os causadores da crise de 2008 serem os mais beneficiados com ela, o que Elliot fez não passou de mais uma jogada de um Sistema maior do que ele sequer imaginou existir.

John Oliver resolveu ajudar “somente” 9 mil pessoas. No Last Week Tonight ele denunciou essa indústria de recuperação de crédito e como ela é perversa. Durante todo o programa usando de seu típico humor ácido, Oliver mostra como a vida de milhões de americanos é destruída por dívidas. Então, o que ele fez pra ajudar um pequeno grupo de náufragos em um mar de lama?

John Oliver criou uma empresa de recuperação de dívidas na internet e adquiriu por 60 mil um total de 15 milhões de dólares em dívidas. Essas dívidas são referentes a saúde e como o próprio John indagou “porque comprá-las se podemos perdoa-las?“. Então com uma piada envolvendo a apresentadora Oprah, que em 2004 doou um carro a todos da platéia, em um total de 8 milhões de dólares, Oliver apertou um botão e perdoou 15 milhões de dólares em dívidas.

John Oliver não destruiu o Sistema, mas naquela noite ele foi ferido.

Sua cabeça vai derreter com a mistura de 2001: Uma Odisseia No Espaço e Pablo Picasso

Uma mistura entre dois gênios

9 de junho de 2016

Stanley Kubrick não é um diretor fácil. É bom provável que você o deteste, tudo bem, acontece. A primeira vez que tomei coragem pra ver 2001: Uma Odisseia No Espaço, sua obra máxima, foi um desastre. Achei tudo muito estranho, distante do que eu conhecia como cinema. Obviamente isso aconteceu porque o que eu conhecia como cinema era bobagem.

2001 é um filme de espírito e não adianta dar o play no filme se sua mente procura algo muito mastigado ou respostas às várias perguntas deixadas por Kubrick. Sabe quando dizem que cinema é a sétima arte? Então, 2001: Uma Odisseia No Espaço é um exemplo dessa tal arte.

Mas agora o que aconteceria se misturássemos esse filme com os traços de Pablo Picasso? Alguém imaginou isso e transformou a mistura em uma viagem de ácido grátis. Só dar um play e dizer adeus ao seu cérebro.

How i Met Your Mother e o mito do relacionamento perfeito

Como Ted Mosby vive em uma espécie de "Matrix dos relacionamentos"

9 de junho de 2016

No episódio Double Date (S05E02), Ted desiste de tentar uma conciliação com uma ficante (qual o termo pra ficante os jovens hoje em dia usam?) pois ele aceita que seus “defeitos” são parte de sua personalidade, ou seja, ele só será plenamente feliz em um relacionamento quando encontrar alguém que trate essas particularidades como algo positivo. Esse é o maior problema de Ted Mosby: a fixação pelo relacionamento perfeito.

Existem várias noções erradas do que é o amor e a mais famosa é a visão romântica. O amor não precisa de romance pois ele por si só é perfeito. Diferente de todos os outros sentimentos, o amor é pleno, absoluto. Não existe doses de amor ou amor pela metade. Mas somos seres humanos fadados ao erro, e ao longo de nossa vida emulamos em nossa cabeça versões utópicas do amor.

O amor romântico exige a perfeição para acontecer, e isso torna pessoas como nosso amigo Ted Mosby em verdadeiros obcecados. Ted está o tempo todo buscando sua alma gêmea, a mulher perfeita, a sua Vênus. Como Ted até hoje não experimentou o verdeiro amor, ele acredita que bobagens como notar um erro no cardápio irá dificulta-lo de encontrar tal sentimento.

Mas Ted é apenas uma vítima dessa “Matrix dos relacionamentos“. Os filmes mostram casais felizes se beijando na chuva, novelas mostram o jantar perfeito a luz de velas, a publicidade vende o relacionamento perfeito, tão perfeito quanto uma caixa de chocolates. E como se não bastasse, o século XXI traz a exposição das redes sociais. A necessidade de mostrar aos outros o quanto você é feliz, cria não apenas camadas de filtros, mas de mentiras.

Nos tornamos escravos da perfeição. O relacionamento precisa ser perfeito e as pessoas precisam ter inveja do quanto você e sua amada se dão bem. É preciso que o instagram esteja recheado de momentos a dois felizes, poses milimetricamente pensadas. O amor é entretenimento, consumo. Passamos a acompanhar casais, a idolatra-los, a torcer para que fiquem juntos. Isso é o amor romântico, e é disso que Ted precisa se desprender para alcançar a felicidade.

A desconstrução do amor é algo que acontece quando começamos a atingir a maturidade, um dos estágios mais importantes da nossa transição para a vida adulta. E é por isso que How i Met Your Mother é a série perfeita para quem está próximo dos 30 anos. A maturidade é tema frequente.

Mesmo que Ted ainda tenha essa visão equivocada de amor, suas experiência desastrosas vão cultivando a maturidade, pouco a pouco, bloco por bloco. Quando Ted Mosby perceber que suas piadas ruins de nada irão importar em um relacionamento, aí sim ele irá entender o que é amor.

 

Episódio final da sexta temporada de Game Of Thrones: 69 minuto está bom pra você?

HBO confirma que The Winds of Winter será o episódio mais longo da história da série

8 de junho de 2016

Game Of Thrones já cravou uma tradição em sua curta história. O nono episódio é sempre aquele que destrói sua alma, e o décimo encerra a temporada deixando um gancho maravilhoso para a próxima. Se você não se lembra do que geralmente costuma acontecer nesses episódios, te ajudo a refrescar sua memória.

S0109: Ned Stark Morre
S01E10: Nascem os dragões de Daenerys

S0209: Batalha de Água Negra
S02E10: o exército de White Walkers aparece

S0309: Casamento Vermelho
S03E10: Daenerys liberta Yunkai

S0409: Batalha dos Selvagens contra a Patrulha da Noite
S04E10: Bran Stark conhece o Corvo de Três Olhos

S0509: Drogon salva Daenerys dos Filhos da Harpia
S05E10: Jon Snow é assassinado

Deu pra perceber que esses episódios são, de longe, a sequência mais esperada em toda temporada. E a HBO finalmente confirmou que o S06E09 e S06E10 terão respectivamente 60 e 69 minutos, assim, a season finale será o episódio mais longo em toda série.

The Battle of the Bastards finalmente irá colocar frente a frente do exército de Jon Snow e Ramsay Bolton. Agora The Winds of Winter é o nome do sexto livro de George R.R. Martin que ainda não foi lançado. Sabe deus o que a HBO reserva para nós. A direção de ambos episódios fica por conta de Miguel Sapochnik, que dirigiu o aclamado Hardhome (S05E08). PQP!

Estava achando os últimos episódios de Game Of Thrones “mornos”? Então prepare seu corpo, winter is coming!

O que você entendeu do final de Mad Men?

Quem venceu em Person To Person?

7 de junho de 2016

Na noite de 10 de junho de 2007 as linhas da HBO ficaram congestionadas. Os EUA se reuniu naquela noite para assistir ao último episódio de Sopranos e não ninguém esperava pelo que David Chase iria aprontar. Milhares de assinantes ligando para saber se o sinal havia caído… bom, só quem assistiu a maior série de todos os tempos entende esse sentimento. Nove anos depois ainda é um dos finais em série que mais despertam debate acalorado entre os fãs. É claro que uma obra de arte não iria terminar de maneira óbvia.

Cerca de um mês depois, mais precisamente no dia 19 de julho, iria ao ar Mad Men, série que seguindo a escola Sopranos, iria entregar mais um final desses que duram décadas. Afinal, o que aconteceu com Don Draper em Person To Person?

Existem dois finais ali. O primeiro é que Don, após passar alguns dias em um retiro espiritual, absorveu toda essa experiência e transformou em um lindo comercial para a Coca-Cola, conta que ele sempre sonhou em trabalhar. O outro é como no fim das contas nada do que ele viveu ali importou, a publicidade venceu e Don Draper é uma alegoria a essa máquina de transformar emoções em produtos entalados.

O primeiro final é o mais belo e ao mesmo tempo cínico. Don Draper viveu algo transcendental em sua viagem e seu contato com a cultura hippie da década de 60 serviu para trazer um certo alívio a sua alma. Don sempre fugiu, sempre buscou algo que nem ele mesmo sabia o que era. Então quando ele havia deixado de lado a publicidade, deixado de lado sua maior escravidão que é o trabalho, se viu livre pela primeira vez, reencontrou seu verdadeiro eu para anos mais tarde transportar tudo isso no comercial Hilltop para Coca-Cola.

Don Draper recupera seu brilhantismo e agora está pronto para seguir em frente em sua carreira. Mas não é assim que enxergo esse final de Mad Men.

Esse comercial da Coca-Cola é perfeito para entender a ideia de como a publicidade venceu em Mad Men. Don Draper não se transformou em uma pessoa melhor, ele continua o mesmo. Ao invés disso usou cada momento, cada pequeno detalhe, cada sentimento, para embalar tudo em um comercial de tv. O mundo realmente seria um lugar melhor, com as pessoas de mãos dadas cantando juntas, sem preconceitos. Mas obvio, tudo isso com uma deliciosa Coca-Cola.

A publicidade é exatamente isso. Ela transforma momentos especiais em frasco de perfume, amizade em uma cerveja gelada, pega o amor da sua mãe e risca um dia no calendário. A ideia de que um café da manhã perfeito só existe com determinada margarina, ou o almoço em família só pode existir com tal refrigerante, é o que Don Draper sempre fez.

Don Draper associou felicidade e liberdade com cigarro, falou sobre nostalgia para a Kodak. É tudo feito e pensado para plantar a ideia de que nada de bom pode ser grátis. Person To Person é a denúncia que sua felicidade há muito tempo foi embalada e está sendo vendida em prateleiras. Não adianta você sorrir se esse sorriso não foi comprado.

Mas eu fico com a mensagem final de Bert Cooper em Waterloo, o melhor episódio de Mad Menthe best things life are free.

A lua pertence a todos.

Breaking Bad pelo ponto de vista de Jesse Pinkman é mais triste do que você imagina

Como Walter White QUEBROU o garoto Jesse Pinkman

7 de junho de 2016

Quando Walter abriu mão das coisas importantes para cultuar a si mesmo, ele destruiu a vida de todos ao seu redor. Foi uma espécie de Rei Midas ao contrário e tudo que ele tocou virou pó. Como o protagonismo lhe pertencia, vimos a tragédia de Heisenberg através de seus olhos. Manipulados pelo excelente roteiro, éramos estrategicamente levados a enxergar tudo pela ótica desse sociopata.

Mas o que acontece quando tiramos todo o abuso emocional criado por Walter White para esconder seus mais selvagens e mesquinhos desejos de poder? Uma história avassaladora sobre vidas despedaçadas.

Em seu caminho de sangue, Walter White foi pisando em todos, não importa o grau de proximidade. Skyler, Walter Jr., Hank, Saul e claro, Jesse Pinkman, que desde o começou sofreu o inferno na Terra. Sua relação com Walter é recheada de momentos que só a psicologia pode entender.

Ao mesmo tempo que existia uma preocupação legítima por parte de Walter, havia por trás disso tudo um plano maior. É como se Walter White fosse um deus tribal que amasse Jesse a sua maneira, mas a qualquer momento pode se cansar de tudo e fazer chover fogo dos céus.

Esse vídeo é terrível. Ele pontua cada um dos momentos que destruíram o inocente Jesse Pinkman, e como Walter White foi responsável direto por cada gota de sangue.

Citação de One Minute (S03E07)

Eu não quero nada com você. Desde que eu o conheci tudo que eu gostava desapareceu. Arruinado, virando merda, morto. Desde que me juntei ao grande Heisenberg. Eu nunca me senti mais sozinho. Eu não tenho nada! Ninguém! Tudo se foi!

Por que você entenderia? O lhe importa contanto que você tenha o que quer?

Você não da a mínima pra mim.

Via Breaking Bad Brasil

Com forte teor político, Game Of Thrones mostra porque é um bom drama

"The Broken Man" (S06E07) é um exemplo de como a série se sustenta bem sem a típica ação

6 de junho de 2016

Tem cenas que só Game Of Thrones faz por você? Tem. A série é recheada de momentos épicos, onde aquela mistura de frio na espinha e adrenalina vão lá em cima. Porém ação por ação, tensão por tensão, não sustenta uma pequena obra de arte da tv como Game Of Thrones. É preciso ser boa em todos os aspectos.

The Broken Man é esse episódio necessário para nos lembrar que nem só de dragões e zumbis vive a obra de George R.R. Martin. Com um forte teor político, mostra que quando quer, Game Of Thrones sabe ser um drama. É claro que um equívoco aqui ou ali sempre rola, mas em um modo geral, o episódio se saiu muito bem em uma temporada que começou frenética.

O principal problema de The Broken Man é sua principal surpresa. O Cão de Caça está vivo, mas esse mini arco batido sobre a “verdadeira natureza” de alguém é tão básico e clichê que olha, me espanta ver isso em Game Of Thrones. Esse lance de alguém ruim encontrar a redenção, para logo em seguida ser jogado em uma situação onde tudo que ele pensou sobre o que é certo é posto a prova é muito previsível. Muito.

Estava meio óbvio quando a ladainha sobre ser bom começou: alguma coisa terrível iria acontecer para o Cão voltar a ser o Cão. Ninguém iria “ressuscitar” o personagem pra ele ser um hippie, mas tudo bem. Jogo que segue e é interessante pensar no futuro do personagem.

Falando em ressurreição torço para que Jaime Lannister volte a viver dentro da série. Apagado há algumas temporadas, Jaime perambulou pra lá e pra cá sem muita importância dentro da trama, agora, diante do Black Fish ele pode provar a todos que não é apenas o homem que traiu seu juramento. O cerco ao castelo promete já que Brienne, sua velha amiga, está a caminho.

The Broken Man (S06E07)

The Broken Man foi um episódio de diálogos, com Jon Snow e Sansa Stark buscando apoio. A cena com a pequena Lyanna Mormont já é uma das melhores desse ano, mostrando que em Game Of Thrones o que não faltam são ótimas personagens femininas. A fama dos Mormont foi mantida.

É interessante notar como The Broken Man serve de alerta para o que está por fim no final dessa temporada. Todas as peças que foram reposicionadas em Blood Of My Blood fizeram agora seu primeiro movimento. Com Cersei pronta para agir, Margaery arquitetando algo, Jaime no cerco, o exército de Snow e Arya pagando pela sua traição, os próximos episódios prometem compensar a ausência de ação desses dois últimos.

Mesmo que The Broken Man não seja seu tipo de episódio favorito em Game Of Thrones, é preciso reconhecer sua importância no cenário geral. A politicagem corre nas veias de Westeros.

Topo ^