Amigos do Fórum - Cultura pop e entretenimento todo dia

O mínimo de inglês pode melhorar sua experiência com filmes e séries

Conheça a 6ª Semana do Inglês

27 de julho de 2016

A dublagem tem um peso emocional para a maioria dos brasileiros. Foi ela quem tornou acessível ao grande público séries e filmes que sem esse recurso, provavelmente se tornariam produtos nichados. Distante da maioria. Mas quando passamos a refinar melhor nossos gostos, é quase automático a preferência pelo áudio original, com ou sem legenda.

Eu mesmo há menos de 5 anos só consumia produtos dublados, mas hoje é tudo em áudio original. Não que a dublagem brasileira seja um problema, nada disso, aqui temos bons exemplos de como eles se viram bem. O problema é outro: um filme nada mais é que a junção de som e imagem, quando um diretor concebe sua obra, ele pensa na melhor maneira de lidar com esses dois recursos.

Então quando um ator é escalado, é claro que seu tom de voz, a maneira como ele fala, tudo é pensado. Filmes e séries são completos apenas quando assistidos pelo áudio original.

–  Now say my name
– Heisenberg

– You’re goddamn right

O primeiro passo é passar a consumir com o áudio original, e em seguida vem um novo avanço: noção de inglês. Quem me acompanha no podcast e no canal sabe que meu inglês é terrível. Mas nos últimos anos resolvi me esforçar para aprender o mínimo do mínimo, afim de reconhecer algumas palavras sem o auxílio da legenda. Nunca fiz aula alguma e o inglês da minha escola municipal se resumia a verbo to be, portanto, o pouco que sei é graças a experiência de assistir tudo legendado.

E cara, como isso ajuda a melhorar sua experiência, principalmente com séries, já que você irá acompanhar aqueles personagens durante um bom tempo. Portanto quando o pessoal da Equipe do Professor Mairo Vergara me chamou pra conversar, achei que seria uma oportunidade não apenas pra mim, mas também para os muitos leitores do Amigos do Fórum que preferem assistir a séries legendadas.

Agora em agosto, entre os dias 8 e 12, acontece a 6ª Semana do Inglês. Um evento gratuito destinado a todas as pessoas, independente do nível de inglês. O meu que ainda engatilha agradece.

O evento é organizado pelo professor Mairo Vergara, que você provavelmente conhece do Youtube (ASSINE caso você ainda não conheça o canal). O evento é 100% gratuito e 100% online, e com um simples cadastro você já garante sua participação. Serão vídeo aulas focadas no método mais eficiente para aprender inglês e quais os melhores métodos a serem usados. O evento também irá fornecer material em PDF e MP3 para você seguir praticando. É o maior evento do tipo no Brasil, na ultima edição, a 5ª Semana do Inglês reuniu mais de 350 mil pessoas.

É uma oportunidade de você dar o primeiro passo. Depois se livrar pra sempre de não saber o que os personagens disseram quando a legenda mostra “miga, cê tá loca” ou “tá tranquilo, tá favorável“…

 

Clique e se cadastre!

Black Mirror ganha data de estréia no Netflix: dia 21 de Outubro com 6 novos episódios

Elenco e diretores também foram confirmados

27 de julho de 2016

Atualmente Black Mirror é a série que mais se beneficia do artifício “cavalo de troia“, muito usado na televisão dramática moderna. Primeiro você é apresentado a um tema de fácil simpatia (série de máfia, série sobre um professor com câncer que se torna traficante ou série sobre os males da tecnologia), mas o que vem a seguir é um verdadeiro bombardeio de temas e camadas de entendimentos.

Isso é Black Mirror. Uma série excelente em vários sentidos, desde seus episódios bastante perturbadores até seus debates que vão além dos créditos. Até hoje sigo tentando entender de fato o que Charlie Brooker tentou me dizer com aquele porco, ou os prisoneiros pedalando. É, ao menos pra esse que vos escreve, a melhor série dramática da atualidade. Ponto.

Você sabe quais são os temas de Black Mirror?

Charlie Brooker, o criador, fez tudo ao seu tempo. Black Mirror tem apenas 7 episódios divididos em duas temporadas e mais um especial de Natal. Desde dezembro de 2014 não temos nada novo, porém, o Netflix acabou trazendo a série para o seu catálogo com a promessa de 12 novos episódios, dessa vez, originais do serviço de streaming.

Durante um evento feito pelo Netflix foi revelado que Black Mirror retorna ainda esse ano, no dia 21 de outubro, com 6 episódios inéditos, que correspondem a primeira metade da nova temporada, que teoricamente seria a terceira, já que White Christmas é um especial de natal, não uma nova temporada.

Foram divulgados os nomes dos episódios e também diretores e elenco. Vamos lá?

San Junipero (S03E01)

Estrelado por Mackenzie Davis (de Perdido Em Marte) e Gugu Mbatha-Raw. Dirigido por Owen Harris. (que já dirigiu Black Mirror anteriormente: Be Right Back, S02E02)

Shut Up and Dance (S03E02)

Estrelado Jerome Flynn (o Bronn de Game Of Thrones) e Alex Lawther. Dirigido por James Watkins.

Nosedive (S03E03)

Estrelado por Bryce Dallas Howard (de Jurassic World), Alice Eve (de Stark Trek: Além da Escuridão) e James Norton. Dirigido por Joe Wright (que dirigiu Orgulho & Preconceito).

Men Against Fire (S03E04)

Estrelado por Michael Kelly (o Doug de House Of Cards), Malaquias Kirby e Madeleine Brewer (Tricia da primeira temporada de OITNB). Diretor ainda não confirmado.

Hated in The Nation (S03E05)

Estrelado por Kelly MacDonald (Margaret de Boardwalk Empire). Dirigido por James Hawes (dirigiu alguns episódios de Penny Dreadful).

Playtest (S03E06)

Estrelado por Wyatt Russell e Hannah John-Kamen. Dirigido por Dan Trachtenberg (Rua Cloverfield, 10).

Nos vemos em outubro.

A Piada Mortal não é bem uma adaptação, mas segue com um roteiro irretocável

A velha piada sobre o homem mal e o homem bom

26 de julho de 2016

Nunca gostei de quem julga um filme ou série baseado em livros ou quadrinhos pelo ponto de vista de fidelidade a obra original. Game Of Thrones é um exemplo de como ambas as mídias podem coexistir, sem que uma anule a outra. É claro que às vezes bate aquela sensação de que se o material original tivesse sido usado o resultado seria melhor (vide Governador em The Walking Dead), mas sempre devemos ponderar sobre uma adaptação como ela de fato é: uma adaptação.

Não é o caso de Batman: A Piada Mortal que leva ao pé da letra ser uma “versão animada” da clássica HQ roteirizada por Alan Moore. Tirando o chatíssimo prólogo (mas que se faz necessário para a animação não ser um curta), todo o restante nada mais é do que um transporte, quadro a quadro, dos quadrinhos para o vídeo. A palavra adaptar aqui meio que foi esquecida.

O que nesse caso nos leva a comparar ambas as obras. E o quadrinho se sai bem melhor, afinal, foi pensado assim. No mais, não há muito o que dizer sobre o filme em si, mas sim suas ideias, agora chegando a um novo público (talvez o único ponto positivo de sua existência). E nisso A Piada Mortal segue com um roteiro irretocável sobre até que ponto um homem pode ser pressionado sem se quebrar.

Interessante notar como toda a estrutura do anti-herói na tv dramática moderna foi feita em cima dessa ideia de que homens bons podem se tornar maus após algum evento traumático, ou então a simples distorção da moralidade comum para sustentar seus atos. É o caso de Walter White que deixou aflorar em si mesmo seu lado mais perverso com a desculpa de fazer o que fez pela família.

É a ideia de que o mal não existe, mas sim um distanciamento do bem. Ninguém nasce mal ou simplesmente deseja praticar o mal por algum motivo inexplicável. Todos nascem bons e é o ambiente ao seu redor que irá te distanciar desse plano inicial. É uma visão conveniente para explicar porque alguém puxa o gatilho e mata uma pessoa apenas para levar seu celular. Se a culpa é de algo invisível que assola a humanidade, um Sistema, ninguém deveria ser responsável por seus atos.

Talvez seja esse um dos motivos pelos quais o Coringa do Nolan não é apenas o melhor vilão de qualquer adaptação de quadrinhos feitas para o cinema, mas dele como um todo. Ele é mal e corteja o caos. É um cão correndo atrás do caminhão. Não existe motivo e não precisa existir motivo. O simples fato do próprio personagem jogar com sua origem torna tudo ainda mais interessante.

É como se Nolan ironizasse toda essa questão. O Coringa cria diversas hipóteses sobre os motivos o que levaram a ser daquele jeito. A esposa que o deixa, o pai violento… é como se no fim, a mensagem fosse: não sejam idiotas, sou assim porque eu quero. Eu sou louco. Essa é minha essência.

Batman: A Piada Mortal (2016)

A Piada Mortal mostra justamente o contrário. O típico homem comum tomado pela frustração em busca de alguma maneira de ganhar dinheiro, afinal, tudo sempre está atrelado ao dinheiro. Felicidade, liberdade, conforto. Porém após a morte de sua esposa sua luz se apaga e resta apenas o queda eterna ao abismo. E para provar seu ponto, que todos podem ficar loucos graças a um “dia ruim”, ele usa o Comissário Gordon, um exemplo de boa moralidade.

Em cheque está o Batman. O homem que viveu as mesmas experiências traumáticas que o Coringa mostrando que existe uma saída. Quer dizer, existe? Seria o Batman tão racional quanto seu antagonista? Sua jornada solitária aplicando a justiça no submundo de Gotham é justificável? A Piada Mortal confronta as principais ideias que giram em torno desse personagem. A jornada quase messiânica do Coringa já estava prevista por ele mesmo.

Ele sabia que após provar seu ponto não sobreviveria, tudo ali estava armado desde o início. Era o Batman quem deveria decidir. Afinal, esse homem é ou não mal? E caso seja, eu tenho o direito de julgá-lo?

Uma obra prima. Nos quadrinhos.

Estão te fazendo de idiota com essa história de “Pokémon Go no Brasil”

Ninguém sabe quando esse game chega ao Brasil. Não caia nessa

26 de julho de 2016

Antes de criar The Wire, David Simon foi escritor, mas antes de ser escritor foi jornalista. Ele conta que no início de sua carreira enxergava a profissão como algo que podia mudar uma sociedade ao expor a ela suas verdades mais ocultas. Porém, certa vez ao denunciar um caso de abuso sexual envolvendo um jogador de basquete universitário, David Simon percebeu que mentiram pra ele sobre a real importância de sua profissão. Mesmo com toda repercussão do caso nada aconteceu ao jogador e muito menos ao treinador, que além de esconder o abuso da diretoria da escola, ainda fez ameaças a vítima.

Simon perdeu a visão romântica do jornalismo ainda muito jovem, então resolveu denunciar essas tais verdades da sociedade através da televisão. The Wire é série de tv mais incômoda de todos os tempos justamente por sua disposição de mostrar fatos, sem julgar apontando o certo ou errado. Não deixa de ser, ainda com suas doses de ficção, algo muito parecido com o jornalismo. Uma profissão que se faz cada vez mais necessária em uma época onde todos tem voz, mas ninguém sabe o que diz.

Mas os principais portais de notícias na internet se tornaram idólatras de cliques, usando linguagem rasa de internautas teens, com memes em suas capas e sem um mínimo de compromisso com a seriedade e principalmente a verdade. Tele jornais estão cada vez mais focados nas ironias envolvendo seus apresentadores e no que isso pode repercutir no twitter.

É esse desespero pela audiência que vem tornando o jornalismo cada vez mais raso, e agora a cultura pop é a nova vítima dessa mentalidade (é claro que você irá dizer que jornalismo raso sempre existiu, eu sei disso). Há três semanas praticamente todos os principais sites ligados a cultura pop e tecnologia estão dando como certo a chegada de Pokémon Go no Brasil. Táticas sujas de gerar expectativa no usuário brasileiro que vão desde o “Pokémon Go chegará em breve” até “Pokémon Go pode chegar a qualquer momento“.

Pokémon Go no Brasil: volte amanhã

É uma estratégia perversa. Pokémon Go é o aplicativo mais comentando no mundo, a cada novo dia alguma notícia bizarra e/ou engraçada envolvendo seus jogadores é manchete. Pessoas saindo de casa e se reunindo em parques para correr atrás de um novo monstro. Parece divertido e é natural eu e você querermos participar dessa festa. Mas infelizmente ainda não existe nada oficial por parte da Nintendo sobre o lançamento do game por aqui.

Então entra em campo o jornalismo especulativo replicador de conteúdo. Basta que um “noticie” que Pokémon Go será lançado em 48hr para uma enxurrada de novas publicações aparecerem. Tanto o twitter e o facebook passaram a privilegiar assuntos quentes, ou seja, esses sites querem que seus perfis tornem-se populares entre esses assuntos, buscando o clique do usuário a todo custo.

Sites vivem de receita de publicidade, onde quanto mais visitação e engajamento (likes, tuites, comentários etc) ele tiver, maior o preço que ele poderá cobrar. Ou seja, nessa história de Pokémon Go no Brasil você nada mais é que um número no final do mês a ser apresentado para uma marca X. E não apenas sites estão partindo pra esse tipo de estratégia, há relatos de canais do youtube usando tags mentirosas e fazendo lives sobre o lançamento do jogo durante dias. Tudo para inflar o canal de inscritos. É óbvio que o pobre desavisado não terá resposta alguma a sua pergunta. Afinal, quando Pokémon Go chega ao Brasil?

Ninguém sabe, mas uma coisa é certa: estão te fazendo de idiota.

Um novo olhar sobre a primeira temporada de True Detective

Uma deliciosa revisita a uma das melhores obras da televisão moderna

25 de julho de 2016

A revolução televisionada da HBO possibilitou que todo tipo de história tivesse seu espaço. E mais uma vez o canal que deu vida as maiores séries dramáticas, foi o lar de uma obra de arte. Quando True Detective estreou em 2014 o mundo ficou de joelhos perante Nic PizzolattoCary Fukunaga, Rust Cohle e Marty Hart. Uma série que flertou entre o real a e fé ao longo de oito inesquecíveis episódios.

Para entender True Detective é preciso separá-la em duas partes fundamentais: a humana e a fantástica, claramente divididas durante sua primeira temporada. No centro disso tudo um homem chamado Rust Cohle redescobrindo sua relação com a luz. Uma belíssima história sobre superação, luto, fé, transcendência e família. Nic Pizzolatto faz mistura de filosofia trágica com investigação criminal.

É importante então notar aqui os dois pilares narrativos da obra, Cohle e Marty, como almas que caminham paralelamente. Rust Cohle perdeu a filha em um acidente, viu seu casamento acabar e logo em seguida entrou no submundo das drogas. Acabou como informante e depois de matar alguns chefes de cartéis ganhou seu espaço na homicídios. Nesse momento da vida Cohle já havia sido corroído e é isso que o torna um detetive acima de seus parceiros.

Enquanto a maioria vê o homem como indivíduo isolado, Cohle enxerga a condição humana como um erro. Para eles somos seres condenados ao nada, e nossa natureza auto destrutiva no coloca no mesmo patamar. Assim fica fácil para ele estar um passo a frente, visto que já sabe de antemão onde iremos nos meter enquanto seres fadados ao fracasso.

Rust Cohle encontra-se na escuridão porque foi forçado a estar nela. Sem a luz, ele aprendeu a ver no escuro. Entende com indiferença a vida e a morte, para ele viver ou morrer são detalhes mínimos. Por isso ele escolhe a homicídios. Temos um homem que perdeu tudo, e apenas quem tem tudo pode temer o nada. Sua luz se foi junto com sua filha. Rust Cohle não teme mais nada.

Marty Hart é um homem que possuiu o maior bem possível: a família. Enquanto Rust lamenta a perda da sua, Marty não entende o que tem em mãos, ou melhor, o que pode perder. Ao trair a esposa e não ser presente na vida das filhas, Marty está flertando com o abismo. E está na ponta, olhando para baixo, sorrindo ironicamente. Lá no fundo está Cohle, olhando para Marty.

É a escuridão, sempre tão atrativa, que te faz odiar o que se tem e cobiçar o que não pode. Que nos corrompe diariamente, nos coloca em tédio, nos torna raivosos e frustrados.

Nic Pizzolatto antes de construir uma história de investigação, constrói uma história sobre seres humanos. Dois homens em dois momentos bastante semelhantes. É interessante notar como a visão de Cohle é destoante da motivação quase mística do assassinato. E é justamente isso que irá culimar na redenção final do personagem. O real e a fé.

Quando Rust Cohle passar por uma experiência de quase morte, onde as leis da físicas deixam de existir e apenas um instinto humano indescritível chamado amor passa a exercer força, Cohle então entende a verdadeira lógica e sentido por trás de viver e estar vivo. É a batalha mais antiga da humanidade, a luz contra a escuridão, o bem contra o mal. É tudo muito simples.

Sempre existiu a escuridão. Mas a luz surgiu. E nós estamos vencendo. Procure sempre a luz, jamais de espaço para o aconchegante abraço da escuridão. Encontre sua luz. Corra em direção dela. Sempre. Sempre. Sempre.

As principais referências da cultura pop em Stranger Things

Aliens, Os Goonies, E.T., Contatos Imediatos de Terceiro Grau...

25 de julho de 2016

É meio óbvio pra qualquer um que Stranger Things tem como principal plot a nostalgia. É uma série onde nada de novo foi contado ou feito, porém, sua honestidade em nos dizer isso é que torna tudo especial. Você simplesmente da o play sabendo o que está por vir. É entretenimento baseado na saudade e no resgate das memórias afetivas.

Sendo assim, Stranger Things carrega em seu DNA várias referências da cultura pop, de citações a jogos, personalidades, músicas até mesmo cenas praticamente refeitas de alguns clássicos do cinema. Esse vídeo reúne as principais delas.

Aliens, Os Goonies, E.T., Contatos Imediatos de Terceiro Grau e por aí vai.

O riso forçado de Zack Snyder no teaser de Liga da Justiça

O primeiro teaser da Liga da Justiça tem a fotografia escura de Snyder e muito humor

25 de julho de 2016

A Liga da Justiça enfim deu as caras na era dos blockbusters baseados em super heróis. Com as filmagens em andamento, um vídeo com pouco mais de 2 minutos foi preparado para o pessoal da San Diego Comic Con, para logo em seguida ser divulgado na internet. Sem mistério, sem esconder nada, tudo mundo pode ter um primeiro olhar sobre Batman, Mulher Maravilha, Flash, Aquaman e Cyborg, dessa vez unidos.

O que chama atenção é nítida mudança de tom em comparação aos outros trabalhos executados por Snyder. Basta voltar um pouco no tempo e lembrar dos teasers e trailers de Man Of Steel, poéticos, levados ao som melancólico de Hans Zimmer com narração de Russel Crowe ou Kevin Costner, ambas figuras paternas e de extrema importância para a personalidade do Superman que Snyder queria. Ou então mais recente, com os de Batman V Superman, uma linguagem mais agressiva e desesperançosa, colocando a prova a existência de ambos super heróis.

Sempre gostei do Snyder justamente por isso. Sua visão ambiciosa de personagens infantis me agrada, a maneira como ele tenta extrair alguma filosofia ou motivação além do bem contra o mal é algo raro de ser ver em tela. Mas a fórmula básica dos filmes de quadrinhos não pode ser alterada, afinal, estamos falando de multidões, e principalmente, de um ambiente extremamente hostil com quem resolve mexer no sagrado passado de personagens da cultura pop.

Mas Zack Snyder pode ser qualquer coisa, menos um homem covarde. Mesmo com toda avalanche de crítica sobre seu Superman em Man Of Steel, ele não desistiu e seguiu com seus planos. A jornada messiânica de Ka-El, o lado mais humano de um deus, algo que fica ainda mais evidente na Edição Definitiva. Indo além, Snyder nos apresenta um Batman completamente diferente daquele que Nolan trabalhou ao longo de três filmes. Sai o Batman conflituoso sobre sua existência, a busca pelo símbolo, e entra um Batman cansado e pronto para um último ato em prol da humanidade.

O óbvio aconteceu e Batman V Superman foi mal na crítica e também nas bilheterias. É claro que pra um estúdio a primeira onda de descontentamento não faz diferença, mas a segunda sim. Um filme dessa magnitude que não rende muito dinheiro é porque algo de errado existe. E ali ficou claro que Snyder, talvez, não teria a mentalidade correta pra esse tipo de blockbuster.

Snyder enxerga o jogo diferente de um Joss Whedon, por exemplo. Os Vingadores, o melhor filme já feito pela Marvel, segue irretocável. E sua perfeição se encontra justamente na falta de ambição, é um longa redondo, que se beneficia em muito da simpatia que vinha sendo construída entre público e os personagens. Tudo dentro dele foi pensado pra agradar tanto o garotinho de 13 anos, quanto o adulto de 50.

Batman V Superman vai além, o que não signifique que seja melhor. O fato é que toda essa enxurrada de crítica, bilheteria baixa e a Warner reposicionando suas peças (Ben Affleck como produtor, etc), mostra que dessa vez Snyder não terá toda liberdade que sempre desfrutou. Ao menos é o que esse teaser trailer da Liga da Justiça deixa parecer.

A fotografia melancólica está lá, a câmera lenta também. Marcas do Snyder, mas é só isso. O tom mais leve certamente é uma resposta a quem temia uma Liga da Justiça sombria, desesperançosa pós a morte do Superman. Está claro que é um sorriso forçado.

Mesmo assim tudo segue incrível, como sempre imaginei que seria. Ezra Miller, Aquamoma (aliás, muito Snyder colocar o Rei dos Mares peitando o mar agitado) e principalmente o Batman assumindo esse papel de líder temporário enquanto o verdadeiro ainda não renasce. Gosto do Zack Snyder e torço por ele. Sinto que é um cara legal tentando fazer coisas legais.

Mais do que a redenção do Batman, mais que a ressurreição do Superman, é hora do lugar ao Sol do Snyder.

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